Ajuda humanitária ou forma de ampliar as margens de rendimento?
A responsabilidade Social surge como ferramenta no meio capitalista para realizar promoção social e também para promover o capital através da sensibilização do mercado consumidor a causas sociais.
Esta informação é um fato plenamente constatável, uma vez que facilmente tomamos conhecimento da existência de projetos sociais promovidos pela iniciativa privada que cumprem papel imprescindível no atendimento de necessidades de um determinado seguimento social.
Facilmente constatamos também a associação feita entre a ação de apoio realizada através de algum projeto social e o argumento de venda visando a promoção do empreendimento apoiador do projeto.
Percebe-se, pelo exposto, que há uma questão ética a ser debatida. Quais os limites válidos que ditam até que ponto a iniciativa privada pode aproveitar-se das misérias humanas para ampliar suas margens de lucro, ampliar mercados e vender mais?
Há uma linha muito tênue que estabelece os limites entre os territórios humanitário e o capitalista. É preciso realmente debater muito sobre o assunto. Recentemente a Folha Online publicou a matéria “Doações não devem depender de lucros, diz especialista sobre FarmVille”, por Maurício Kanno, que relata a iniciativa de uma empresa de jogos online que trabalhou um produto específico para levantar fundos para o Haití, mas embolsou 50% das vendas apuradas.
A polêmica continua. Até onde podemos tirar vantagem de iniciativas de ajuda humanitária para alavancar vendas e aumentar os lucros? Será que deveríamos seguir o conselho de Jesus Cristo e ocultarmos o que damos a título de caridade?
Como será que nós, os consumidores, estamos vendo tais iniciativas? Será que faz sentido delegarmos a terceiros a responsabilidade de conduzir iniciativas humanitárias e deixá-los lucrar com isso?